domingo, 26 de agosto de 2012

PARE_i


 


Parei.

Parei para amarrar o cadarço
Parei para acertar o passo
Parei.

Parei para tomar ar
Parei para não acabar,incompleto.
Parei para reconstruir
Reestruturar e surgir,como um feto.

Parei para equalizar.
Cantar no tom e voltar
Afinado.
Parei para fazer regulagem
Parei para fazer a bagagem,confiante.
 
Parei para acertar os ponteiros
Parei para acender o candeeiro,da mente.

Parei pra poder refletir
Parei um pouquinho pra rir,para a vida
 
Parei pois pretendo alcançar
Aonde me propus chegar,na partida.
 
Prefiro parar do que ir aos cacos
E,então,sucumbir facilmente
Minha música é mais que fatura
Não quero marca ou ranhura,displicente.

Pois sei que a missão que foi dada
Foi levar arte e canção para gente amada,entretanto
E como sei do seu valor
Não vou de elevador
Vou de escada,por enquanto...

terça-feira, 31 de julho de 2012

De volta à Tônica





Um sol bemol se pôs em meu peito
Um triste feito sonoro e vibrante
Eu queria vê-lo posto em leito
Com minha cara de dominante

Mediante àquele instante,tentei amenizar a Dor
Aí inverti,suspendi
E ,de fato, pareceu mais leve
Mas o peso cromático que teve
Não deteve a trágica semibreve

Fui passeando por tonalidades
Modulando para o desconhecido
Eu queria tanto descançar
Mas aquilo não parecia ter fim

Foi quando o meu violão no limite de sua extensão
Me fez uma imposição:
Que eu parasse simplesmente
De repente e rapidamente
De forma sônica!
Para que enfim repousasse,
E o martírio acabasse,
De volta à tônica.

sábado, 9 de junho de 2012

Divagação





Divulgação do que não é
O cerne em questão
Ampliação em zoom feroz
De megapixels bem explorados
Cada janelinha cúbica rende mais meio mundo de prosa
Recebe essa Rosa!

Minimaximalista
Pluricultural e descompromissada
Viajante dos conceitos
Nunca feitos,acabados
Rodeados de ouvidos ou não
Reflexões de imagens ao espelho
Avista um joelho
Sopra que passa...

Desamarra-se dos pontos de prés e pós
É livre como só um louco pode ser
E pinta como uma criança
As telas e os telhados
Ilumina os sobrados
Com velas que conseguem ir além do que seu
Corpo abarca
E reúne uma miscelânea numa arca
Já arqueando com os pesos
Sem medidas...

Tem toque de um Midas impetuoso
Dourando a prata,o bronze e o latão
Pensamento calmo,amistoso és como um ladrão
Que faz de toda divagação
Um verso espesso em propensão...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amortecido





Desde a infância
Fui sufocando a minha dor
Minhas tristezas
Fui despejando debaixo de um colchão
O mundo me via sorrindo,
O mundo me via eufórico,
Mas quem disse                  
Que o mundo me via
Se eu mesmo me escondia
Em meio ao torpor?

Foi sempre assim...

E eu elegi o que me entorpecia
Como o que me acolhia
Quando,na verdade,me encolhia,oprimia,anulava
Me matava...

Percebi que isso só me afastava
Para mundos bem distantes
E a cura que eu sondava
Que pedia e implorava
Jamais viria
Estava podre
Cheirando a morte
Num velho colchão.

Sorrisos programados
Respostas prontas
Olhares perdidos
Coração dilacerado
Era o que há tempos me fazia amortecido
Vítima da morte
Sonolento por um beijo
Coberto por véus de mentiras e embriaguez
Julgava ter lucidez
Mas não
Não tinha nada!

Felicidades,amor próprio,amizades
Me fazia aos trios,grupos,aos pares
Aos bares...
Embora sempre só
Embora sempre pó
Jogado ao vento

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sertão (João Victor Escórcio/Raphael Nascimento)




Foi debaixo de um pé de manga
Onde a minha alma descança
Que descobri meu coração desmanchando ao te ver.
Mas quando vi nosso fim no letreiro
Eu morri por inteiro
Chamei até um fogueteiro
Pra ver alegrar meu viver,não deu pra ser
E foi naquela quermesse
que tu falou que a gente não se merece
e o amor gritava,o amor chorava
O amor fazia prece.

Era contigo que eu ia ver o mar
Agora vago no leste a andar
Doido pra encontrar
Alguém pra não viver só
Agora o meu sertão não tá mais dando pra mim
e eu vou cantando assim
pra ver se lá no fim
eu fico melhor
Vou vivendo esperando o céu se abrir
P'ros anjos do céu me assubir
Porque viver sem ti
Não há nada pior.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu era poeta!



Eu queria escrever um poema
Mas de fato não me sinto apto
Se a vontade por si bastasse
E o papel acatasse
O que do mundo capto,
Eu abriria as comportas da mente:
E ria,sorridente,como um mentecapto

E ao ver o jorrar das ideias
Inundando a tristeza e a ignorância
Iria me ver satisfeito
Banhado,em meu leito
Como na minha infância

Em um sonho quem sabe viesse
Me dando palavras em ordem direta
Ordenando que quando acordasse
Mesmo que ainda teimasse
Eu era poeta.

Pensava não ser capaz
De sentir-me audaz
A escrever arte
Mas vi que levo comigo
Sempre em mim um abrigo
Está em qualquer parte.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Anagrama



Eu tinha escrito no verso do verso
Tinha escrito a poesia ao avesso
Tinha escrito o sentimento contrário
Eu quase não noto
O que eu anoto
E que,na distração,
Se fez...

Uma antipoesia
Contrariada
e caquetica.
Mas nunca
Sem sentido

Pois o sentido
Quem dá é o poeta
Alquimista das palavras e dos sentidos
Da materia implícita e explítica
Às vezes a gente força
A palavra a dizer tudo
O que ele nunca pensou dizer,
Adjetivar,
Exprimir...

Quem é que está com Lápis
e papel aqui?

Eu tinha escrito um verso
e no seu verso se fazia mais um!
Era como que uma réplica
Àquela instigante palavra

Escrevi Amor
E no verso saiu Roma
Viajei no tempo,como quem Salta
Trouxe no peito um Atlas
Mais uma tonelada de poesia...

sábado, 24 de março de 2012

O progresso não estava impresso




Com todas as crianças que vivem do resto

E mendigos que precisam de atenção
De um apoio ou de um gesto
O progresso não estava impresso

Com todo o descaso com a escola
E um salário que parece uma esmola
Moramos num País desonesto
O progresso não estava impresso

Com uma história corrupta desde o início
De tratados e acordos sem nexo
Mentiras ditas nos palanques dos comícios
O progresso não estava impresso

País novo,talvez,pra ser desenvolvido
Porém velho o suficiente pra ter vergonha na cara
Daqui a meio século tá todo vendido
O dinheiro mais uma vez nos separa

quinta-feira, 22 de março de 2012

Nem mangue,nem beach



No ceará não se respeita nem Mangue nem Beach
Pois todo o mangue
Não teve sorte
E toda Beach
Virou Resort

O caranguejo saiu pela tangente
A vegetação bem que tentou correr
Mas o homem de Cifrões no olhos
Não tem nada,nada a perder

O homem vem
O homem vem ai....

O homem vem
E o homem quer pra si

O único verde que lhe interessa
É o verde da nota de Cem
É sem escrupulos
É sem caráter,sem vergonha
E moral não tem

Se ele não tem
Dinheiro tem,pra ter
O homem vem
Pagar pra quem paga pra ver

sexta-feira, 16 de março de 2012

Aqui ou Lá?


Aqui é diferente de lá.


Aqui é muita dor e lamento.
Lá é muito amor, sentimento.

Aqui é sempre essa mesmice!
Lá tem de tudo; meiguice.

Aqui o tempo é quase um inimigo.
Lá ele passa despercebido...

Aqui todo dia é dia de fugir:
Dos sonhos, almejos, quimeras...

Lá é tudo tão empolgante
Um ajuda ao outro, e persevera!

Viver aqui pode trazer angústia, pode ferir
É por isso que eu vou pra lá, vou me mudar, vou conseguir!

Eu sei que não importa o lugar
Aqui ou lá,
Pode ser a mesma sala-de-estar...

Vai depender da minha cabeça, o lugar que eu mereça
Aqui ou lá?!

O valor do amor



Ah,se vc soubesse
Quanto tempo levo
Para me entregar

Ah, ve se não esquece
Sou de uma espécie
Ruim de se amar

Não vá pensando por eu ter dado
Todas as chaves da minha casa
Eu tenha entregado todas
Pois ainda falta
Pois ainda falta
a do coração
fica guardada
Muito bem guardada
No meu porão...

Ah,se vc soubesse
Que quando a gente esquece
Viver um grande amor
É bom que recomece
Vê se reconhece
O valor do amor.

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Alto" Estima



O poeta de Araque
Quase teve um ataque
Ao sentir o desfalque
do seu dicionário
Foi de fato,um baque
Quem se achava um craque
Não se ver Romário

Viu ser inexperiente
Criança carente por verso pedante
E a folha nua:
Sem a poesia para lhe cobrir;
Com os olhos ávidos para lhe cobrar;
Sem a rima rica para se exibir
Com taquicardia,a desesperar...

Amanhece.
O Sol doura a folha pálida
Dando amor e calor lá de cima
E o poeta se vê sorridente
Ao ganhar num presente
'Alto' estima.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Renata



O vento passou e assobiou
Despenteando o cabelo dela
Ela mal notou, ou notou, mas fingiu não ser com ela

E seguia olhando em frente...
Implacável, decidida por um antigo amor.
Dessa Odisséia fez sua vida, embora lhe trouxesse alguma dor
Sabia ela que o que trazia no peito era forte o bastante para se arriscar
Um sentimento sublime, perfeito, bonito de se olhar
Às vezes sentia-se só, um aperto no peito
Mas sonhava com o dia em que teria em seus braços, o seu amor de direito.

Era uma pessoa singela e pacata
De sorriso muito belo, atendia por Renata
Diferente de todas as outras mulheres
Mas de beleza igualmente nata
Esperava no vaivém de pedestres na rua
Por alguém prestes a ser seu
Seu antigo par, seu sempre-par...
Do seu barco , o mar: que não se perdeu em esquecimento
Dos seus braços, o abraço: que faltava para constar
De sua boca, o beijo; conseguido almejo, sonho a se concretizar...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Um suspiro



Um Suspiro pela Natureza
Tão bela,imensa e vasta
Fará falta no Futuro
Dessa humanidade Nefasta

Quando o ar necessário para o suspirar
Não mais houver
E você,pela primeira vez,agonizar
Puxar,puxar
E nada vir...
Só o desespero

Como a vida encontrada num bueiro
Como a mata morta em meio a poluição
Como as águas sufocadas por um lixão

Aí então,
A percepção de que pudemos cuidar de nossos rios;
e rimos da situação.
Que zelamos por nossos Ipads,celulares e eletrônicos
Mas no entanto degradamos as nossas redes,belos lugares botânicos.
Um papel jogado,um lixo no chão pode ser pequeno,
ao ver as toneladas produzidas,notamos que é na dose
onde está o Veneno!

Me lembro quando pequenos,onde tinhamos mais deslumbre
pela beleza da Natureza,das coisas simples da Terra.
Será que ainda há tempo para o ser humano ver que ele erra?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Nossa Felicidade




É, francamente eu não sei
Onde foi que parou
Assumimos o risco
E o prejuízo não deu pra calcular
Foi o nosso Egoísmo
Que jogou num abismo
Nosso amor
Nosso par

Era tão bom ficar
Conversando até tarde
Era tão bom te ouvir
Era uma necessidade
Hoje parece assim
Que metade de mim
Perdeu a identidade

Era tão bom ficar
A cheirar teus cabelos
Hoje o sonho virou
Um tristonho atropelo
Não medimos palavras
E mandamos às favas
Toda espécie de zelo

Ao Rever cada instante
Tento ser tolerante
Ao limpar cada nódoa
Eu Removo uma mágoa
E lavando com água
Nós deixamos mais alva
Nossa Felicidade