quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cinzas




Após uma alegria imensa
A quarta-feira densa
Vem me Recordar

De todos os castelos
De monumentos belos
Algo familiar

O sol ainda não saiu
Acho que ele sentiu
Que hoje é anoitecer

Em toda a humanidade
Hoje o peito arde
Sem querer saber

Pessoas tão vividas
Deixam penduradas
Nas orelhas do tempo
Momentos, alegrias
Hoje mergulhadas
Em puro descontento

Saudade é prato cheio
Que uma vida inteira
Não vai saciar
É dor lenta e constante
A foto na estante
Só me faz lembrar

Um cheiro na minha avó
Um abraço na minha prima
Inocente infante
Um tio,uma tia queridos
Um amigo da escola
A dor é perseverante

Mas para quem ficou
Resta fazer memória ao dia que é noite
Mostrando para eles que na vida a Glória
É sobrevivermos
Mesmo com os açoites...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Mundo cão



Meu cãozinho
Late de saudade
Tão sozinho
Chora de verdade
Por não ter quem possa atirar              
O seu osso ou uma bola pra brincar

Tão sozinho
Rasga o jornal
Faz xixi no chão
Pois não aguenta não
A matéria
que diz tão sem noção
Que esse mundo injusto é um mundo cão.

Meu cãozinho
Não guarda rancor
Quando chego
É quem me dá amor
Já latindo e o rabo a abanar
Mostra simplesmente que me ensinou a amar

N'Outro dia tenho que partir
A tristeza vai se repetir
Quando a porta separa os nossos mundos...
...Ah!

Se o mundo fosse cão
Eu me mudava pra esse mundo....

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Eu não sei dançar





Eu não sei dançar
Eu não vou falar
Se o que me apraz
Se minha praia é calar
E,silenciosamente,ficar
Olhando pro fundo do mar

Eu não sei dançar
Eu não vou falar
Se o que me atrai
É ver o silêncio calar
As dores humanas do bar...

Ainda não dancei
Foi meu peito
Bem feito
Bem feito
Sou um brinquedo com defeito

Eu não sei dançar
Mas danço sem parar ...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Se manca, semântica!





Saliva,seiva bruta de minha boca
Gengiva,carne fixa aos meus dentes
A boca em formato de uma ogiva,me tão faz nuclear
singularmente;

Minha língua hoje mingua sem a tua
Meu carro solitário na tua Rua
Meu bem não vivo sem fazer metáforas
Desde o dia em que você caiu pra fora
De mim

Semântica
Seja mais tranquila
Seja mais Romântica
E menos Godzilla

Só ouça com o coração o que eu digo
Não vá grafar meus versos como um perito
As minha intenções,geminadas emoções,germinadas fases
Meu jeito precursor de percursar as minhas frases
Descrimine e discrimine
Uma poesia louca,uma poesia pouca
Mas que é tão sublime

Tente diluir,esmigalhar,esmilinguir o teu coração de pedra
Pois de tanta pedra que jogou,isso só te implica perda!

Se manca,semântica!
Seja mais tranquila
Seja mais Romântica
E menos Godzilla

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cama- Raphael Nascimento




Cama! Areia movediça que me enguiça
Cama! Teu reino de preguiça adormece o drama
Com esses travesseiros traiçoeiros chama
A silenciar o corpo
Entorpecendo engana


Minha disposição já desde então
Na lama
Não atendo telefone, e-mail ou telegrama
Me ofereceram carro, apartamento e grana
Pra tirar o pijama ou lavar o rosto
Pra sair desse posto, desmentir a fama
De ser um preguiçoso que ninguém mais ama
Que beija o edredon e diz que é bom de cama.


E o que eu só queria entender
Se a Cama é como o Coma ou o Coma é como a Cama?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Tempo

           O Tempo que matura as plantações
              Tempo que dissolve as ilusões
                      Tempo que conheço desde menino
                         Tempo.Vilão e herói do destino
                                        Tempo que aflige,cura ou demora
                                                Tempo de um ano,mês ou hora 
                                                  Tempo que acorda e desperta  
                                                   Tempo que motiva o Atleta
                                                        Tempo que enterra
                                                           O Tempo é Pó...  
                                                                 ...........
                                                                   ......
                                                                   Tempo não erra 
                                                              Tempo de paz,tempo de guerra 
                                                          Tempo que esquece ou faz lembrar 
                                               Tempo que o tempo não vai contar 
                                      Tempo em tempos,são tampas de ciclos 
                         Tempo que marca, abarca e deteriora 
             Tempo que melhora, a começar pelo vinho
    Tempo que tudo arrasta feito redemoinho 
 É o Tempo que enferruja,suja ou faz amarelar 
Tempo constante,que não espera o tempo passar 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Marília

Eu quis navegar
Por esse Mar
Mas não vingou Marília

Amar sem se despir
Sem se dispor
E assim se despistar
É desperdiçar,é se ilhar Marília...

Olha,olha o Mar
E sai a navegar da ilha

Eu quis atracar e me encaixar
Junto ao teu porto filha
Mas não sou pirata
Minha fragata
Não vai invadir sua ilha

Olha,olha o Mar
E sai pra navegar a milhas
Sai pra respirar e abre então as escotilhas

As decepções foram grilhões
Que estão a aprisionar
Teu barco
Hoje fraco
O torto leme teme em confiar

Ceder,se dar
Se decidir a amar e aparar cedilhas
Se melhorar,se merecer e desatar anilhas

Mas pra embarcar
Precisa dar
Um passo importante
Não ser relutante, ser renitente
E enfim deixar-se governar
Deixar ser Mar, não ilha....
Deixar-se Amar,sair da armadilha

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poeira



Poeira é pó
Sem eira nem beira
Vagando no vento


Repousa nos móveis,
Encardindo os panos,
Causa sérios danos,
Onde faz-se instalar...

Poeira é só desalento
É sentir desamparo
É sondar aposento...

Espanada,escarrada
Sufocada pela água
Vira sujeira e lama
Não tem boa fama
Mas não guarda mágoas...

Pois poeira sabe
Que quando a gente sobe
O barro vira pó
Poeira é sem rodeios
Sabe de onde veio
E que vai morrer só

Não vive os aperreios
Da ilusão vital
E sabe que quem a critica
Não sabe titica
Sobre o seu final

Somos pós
Saibamos
Desatemos os nós
Dos cômodos
Desacomodemo-nos
E Voemos!

Poeira é só
Sem eira nem beira
Vagando no vento
Pó...

domingo, 26 de agosto de 2012

PARE_i


 


Parei.

Parei para amarrar o cadarço
Parei para acertar o passo
Parei.

Parei para tomar ar
Parei para não acabar,incompleto.
Parei para reconstruir
Reestruturar e surgir,como um feto.

Parei para equalizar.
Cantar no tom e voltar
Afinado.
Parei para fazer regulagem
Parei para fazer a bagagem,confiante.
 
Parei para acertar os ponteiros
Parei para acender o candeeiro,da mente.

Parei pra poder refletir
Parei um pouquinho pra rir,para a vida
 
Parei pois pretendo alcançar
Aonde me propus chegar,na partida.
 
Prefiro parar do que ir aos cacos
E,então,sucumbir facilmente
Minha música é mais que fatura
Não quero marca ou ranhura,displicente.

Pois sei que a missão que foi dada
Foi levar arte e canção para gente amada,entretanto
E como sei do seu valor
Não vou de elevador
Vou de escada,por enquanto...

terça-feira, 31 de julho de 2012

De volta à Tônica





Um sol bemol se pôs em meu peito
Um triste feito sonoro e vibrante
Eu queria vê-lo posto em leito
Com minha cara de dominante

Mediante àquele instante,tentei amenizar a Dor
Aí inverti,suspendi
E ,de fato, pareceu mais leve
Mas o peso cromático que teve
Não deteve a trágica semibreve

Fui passeando por tonalidades
Modulando para o desconhecido
Eu queria tanto descançar
Mas aquilo não parecia ter fim

Foi quando o meu violão no limite de sua extensão
Me fez uma imposição:
Que eu parasse simplesmente
De repente e rapidamente
De forma sônica!
Para que enfim repousasse,
E o martírio acabasse,
De volta à tônica.

sábado, 9 de junho de 2012

Divagação





Divulgação do que não é
O cerne em questão
Ampliação em zoom feroz
De megapixels bem explorados
Cada janelinha cúbica rende mais meio mundo de prosa
Recebe essa Rosa!

Minimaximalista
Pluricultural e descompromissada
Viajante dos conceitos
Nunca feitos,acabados
Rodeados de ouvidos ou não
Reflexões de imagens ao espelho
Avista um joelho
Sopra que passa...

Desamarra-se dos pontos de prés e pós
É livre como só um louco pode ser
E pinta como uma criança
As telas e os telhados
Ilumina os sobrados
Com velas que conseguem ir além do que seu
Corpo abarca
E reúne uma miscelânea numa arca
Já arqueando com os pesos
Sem medidas...

Tem toque de um Midas impetuoso
Dourando a prata,o bronze e o latão
Pensamento calmo,amistoso és como um ladrão
Que faz de toda divagação
Um verso espesso em propensão...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Amortecido





Desde a infância
Fui sufocando a minha dor
Minhas tristezas
Fui despejando debaixo de um colchão
O mundo me via sorrindo,
O mundo me via eufórico,
Mas quem disse                  
Que o mundo me via
Se eu mesmo me escondia
Em meio ao torpor?

Foi sempre assim...

E eu elegi o que me entorpecia
Como o que me acolhia
Quando,na verdade,me encolhia,oprimia,anulava
Me matava...

Percebi que isso só me afastava
Para mundos bem distantes
E a cura que eu sondava
Que pedia e implorava
Jamais viria
Estava podre
Cheirando a morte
Num velho colchão.

Sorrisos programados
Respostas prontas
Olhares perdidos
Coração dilacerado
Era o que há tempos me fazia amortecido
Vítima da morte
Sonolento por um beijo
Coberto por véus de mentiras e embriaguez
Julgava ter lucidez
Mas não
Não tinha nada!

Felicidades,amor próprio,amizades
Me fazia aos trios,grupos,aos pares
Aos bares...
Embora sempre só
Embora sempre pó
Jogado ao vento

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sertão (João Victor Escórcio/Raphael Nascimento)




Foi debaixo de um pé de manga
Onde a minha alma descança
Que descobri meu coração desmanchando ao te ver.
Mas quando vi nosso fim no letreiro
Eu morri por inteiro
Chamei até um fogueteiro
Pra ver alegrar meu viver,não deu pra ser
E foi naquela quermesse
que tu falou que a gente não se merece
e o amor gritava,o amor chorava
O amor fazia prece.

Era contigo que eu ia ver o mar
Agora vago no leste a andar
Doido pra encontrar
Alguém pra não viver só
Agora o meu sertão não tá mais dando pra mim
e eu vou cantando assim
pra ver se lá no fim
eu fico melhor
Vou vivendo esperando o céu se abrir
P'ros anjos do céu me assubir
Porque viver sem ti
Não há nada pior.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu era poeta!



Eu queria escrever um poema
Mas de fato não me sinto apto
Se a vontade por si bastasse
E o papel acatasse
O que do mundo capto,
Eu abriria as comportas da mente:
E ria,sorridente,como um mentecapto

E ao ver o jorrar das ideias
Inundando a tristeza e a ignorância
Iria me ver satisfeito
Banhado,em meu leito
Como na minha infância

Em um sonho quem sabe viesse
Me dando palavras em ordem direta
Ordenando que quando acordasse
Mesmo que ainda teimasse
Eu era poeta.

Pensava não ser capaz
De sentir-me audaz
A escrever arte
Mas vi que levo comigo
Sempre em mim um abrigo
Está em qualquer parte.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Anagrama



Eu tinha escrito no verso do verso
Tinha escrito a poesia ao avesso
Tinha escrito o sentimento contrário
Eu quase não noto
O que eu anoto
E que,na distração,
Se fez...

Uma antipoesia
Contrariada
e caquetica.
Mas nunca
Sem sentido

Pois o sentido
Quem dá é o poeta
Alquimista das palavras e dos sentidos
Da materia implícita e explítica
Às vezes a gente força
A palavra a dizer tudo
O que ele nunca pensou dizer,
Adjetivar,
Exprimir...

Quem é que está com Lápis
e papel aqui?

Eu tinha escrito um verso
e no seu verso se fazia mais um!
Era como que uma réplica
Àquela instigante palavra

Escrevi Amor
E no verso saiu Roma
Viajei no tempo,como quem Salta
Trouxe no peito um Atlas
Mais uma tonelada de poesia...